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FOSS dinamiza formação em TI na Universidade de Évora PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 16 Janeiro 2008 17:25

O software livre e aberto sustenta os cursos de Tecnologias de Informação e tornou-se um pólo de atracção para os alunos.


A aposta feita pela Universidade de Évora (UE) em Free and Open Source Software (FOSS) desde a fundação do departamento de Informática está a dar frutos, atraindo alunos interessados nesta área e ajudando a dinamizar um conjunto de iniciativas e projectos que se querem constituir num centro de excelência em competências nesta área.

 

 

Luís Arriaga da Cunha, professor catedrático convidado da Universidade de Évora e director do Centro de Investigação em Tecnologias de Informação da UE, explica que «o departamento de Informática da universidade há muito que que apostou no software livre como uma excelente via pedagógica».

Todos os alunos da licenciatura em Informática recebem na universidade um computador portátil com sistema operativo Alinex, a distribuição Debian desenvolvida na universidade em colaboração com a Junta da Extremadura espanhola, e esse computador acompanha-os ao longo de todo o curso, sendo equipado com todas as ferramentas necessárias para a sua formação.

Ao longo dos semestres, os alunos vão sempre trabalhando com software livre, mantendo-se  quase sempre neste ambiente, salvo algumas excepções, sublinha Luís Arriaga da Cunha. «Os alunos contactam com código fonte de elevado nível, podem desenvolver, a partir de uma base sólida, novas funcionalidades. Habituam-se a receber, partilhar, colaborar, dar a volta, e não são deformados  num monoanalfabetismo indesejável só com um tipo de produtos», reforça o director do centro de investigação.

Luís Arriaga da Cunha contraria a ideia de que existe um fundamentalismo open source na instituição universitária, preferindo afirmar que é uma aposta em software livre de qualidade que não fecha a porta a outras iniciativas, como um protocolo com a Via Tecla, recentemente firmado que é baseado em produtos da Microsoft. No entanto, refere que ainda recentemente alguém muito ligado ao open source afirmou que a Universidade de Évora era «a universidade com maior taxa de open source por metro cúbico», uma afirmação que enche de orgulho todo o departamento e que «mostra que o investimento neste domínio acaba por ser reconhecido e dar frutos».


EMPREENDEDORISMO EM MOVIMENTO

A aposta em FOSS alarga-se também à área de investigação e inovação, assim como ao empreendedorismo. Luís Arriaga da Cunha acredita que a dinâmica criada pela formação em sistemas abertos contribui também para a «inovação e empreendedorismo que não se fique pelas intenções e discursos». Os casos já registados na universidade começam a dar provas desta teoria.

Em 2006, foi criado o Centro de Investigação em Tecnologias da Informação da Universidade, que começa a ser reconhecido a nível nacional como um centro de excelência em competências open source. Algumas grandes empresas portuguesas já contactaram o centro para apoio na elaboração de planos de migração para open source, sendo ainda mais relevante o número das que procuram recrutar colaboradores para projectos junto de alunos da universidade.

A formação dada nestes cursos ajuda a complementar uma falha identificada no mercado de profissionais formados em open source que possam participar em projectos específicos e também fornecer serviços de assistência a empresas. «Neste momento, temos mais procura do que oferta de alunos já preparados para responder a estas solicitações», afirma o professor.

A dinâmica reflecte-se também na criação de spin-offs de pequenas empresas a partir do Centro de Investigação. Actualmente há duas iniciativas na calha que surgiram a partir de projectos desenvolvidos por alunos no centro que depois se autonomizam e encontram uma oportunidade de negócio no mercado. «No centro damos aos alunos a possibilidade de se exercitarem e trabalharem nos projectos e depois durante algum tempo garantimos o apoio logístico em termos de instalações e recursos para que possam iniciar uma actividade», adianta Luís Arriaga da Cunha.

A ideia é agora conseguir criar um centro de excelência em competências FOSS, um projecto que  ainda não avançou formalmente mas que já tem reconhecimento informal no mercado. Luís Arriaga da Cunha admite, em breve, o lançamento de uma candidatura à iniciativa comunitária Interreg para formalizar a criação do centro e para que este se torne num lugar de referência onde o mercado das empresas e entidades públicas se possa dirigir.

FORMAÇÃO COMPLEMENTAR

Para além da formação académica, o Centro de Investigação em Tecnologias da Informação e Comunicação da Universidade de Évora também tem investido em formação de índole profissional nas áreas de open source.

Ainda em Dezembro decorreu um curso de Administração de Alinex dirigido a profissionais de organismos públicos e de empresas privadas que utilizam esta distribuição Debian. O curso habilita à certificação internacional LPI(Linux Professional Institute), um diploma de garantia de um elevado nível de competência em distribuições Linux/Debian mas cujo exame tem de ser feito junto da entidade representante da LPI em Portugal, a DRI.

Luís Arriaga da Cunha afirma que esta é uma iniciativa para manter e que está já a ser desenhado um outro curso de especialização técnica de software livre, que terá uma  maior duração - à roda das mil horas -  e deverá avançar ainda este ano.
 
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