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Alinex na NESI

 

O 'software' livre conquista cada vez mais utilizadores, nomeadamente em Portugal. A Universidade de Évora possui um sistema operativo denominado Alinex que está disponível para download. Paulo Quaresma, professor da instituição, esteve na Madeira para falar sobre o tema e dar a conhecer o projecto.

Nos últimos anos, o 'software' livre tem crescido em Portugal. A Universidade de Évora criou o projecto Alinex que visa o desenvolvimento de soluções informáticas orientadas para utilizadores portugueses. Paulo Quaresma, presidente do Departamento de Informática da referida instituição, esteve recentemente no Funchal para participar num seminário sobre o tema.

 

 

   "No 'software' livre o importante é a capacidade que o utilizador tem de aceder ao código que constitui cada um dos programas. O que não significa que não esteja protegido. Tem um tipo de licença que dá a possibilidade de analisar como foi concebido, de o modificar para melhor cumprir as tarefas a que se destina". A grande vantagem, acrescenta, é poder alterá-lo e ter a possibilidade de disponibilizar as alterações a outros, sem restrições.

   Um estudo europeu recente veio reafirmar as vantagens. Paulo Quaresma refere que este demonstra também a importância e os benefícios do fenómeno "para a criação de postos de trabalho e, essencialmente, para o aparecimento das PME (Pequenas e Médias Empresas) a nível local".

   Trata-se - diz - "de um modelo de negócios diferente. O 'software' livre não tem o custo da licença, mas exige a criação de empresas que dêem assitência, que tenham 'knowhow' técnico para dar apoio. Não se centra no custo das licenças, mas nos serviços que têm de ser prestados".

   Outra das vantagens é que o "dinheiro que é investido nas tecnologias da informação permanece onde é feito o investimento, em vez de sair para as multinacionais, para outros países, através dos custos de licenciamento".

 


  Ao nível do ensino, as potencialidades são também evidentes, pois o 'software' livre permite outro tipo de aprendizagem aos alunos. Foi com base nestes pressupostos que a Universidade de Évora, através do seu Centro de Investigação em Tecnologias de Informação, apostou no projecto 'Alinex'. 

 

No 'software' livre o importante é a capacidade que o utilizador tem de aceder ao código que constitui cada um dos programas. O que não significa que não esteja protegido. A grande vantagem é poder alterá-lo e ter a possibilidade de disponibilizar as alterações.

   "Fizemos as adaptações para português. Seleccionamos algum 'software' útil e criamos uma instalação própria, uma imagem nova. O símbolo do Linex é um pinguim e o do Alinex uma ovelha 'alentejana'". No âmbito de acordos estabelecidos, o Alinex está a ser instalado em todas as salas TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) das escolas secundárias.

   Mas, conforme adianta, o projecto não se esgota na distribuição. "É mais vasto, e visa criar uma rede colaborativa de empresas, entidades e indivíduos.

   
   Paulo Quaresma integra a equipa. A primeira versão surgiu em Julho de 2005, na sequência de um protocolo assinado com a Junta da Extremadura de Espanha. No âmbito deste acordo foi disponibilizada à Universidade de Évora a distribuição do 'software' livre LinEx "e todo o 'know-how' decorrente de uma experiência de sucesso na Extremadura Espanhola", explica o investigador. Daí a origem do nome da distribuição: Alentejo+Linux+EXtremadura. O sistema operativo Alinex está disponível para download a partir de http://www.alinex.org.

Queremos fazer um consórcio alargado com instituições que queiram colaborar em 'software' livre. Uma empresa que tenha determinado 'software' e que queira disponibilizar, pode associar-se ao projecto. Nós certificamos e colocamos no site para ser distribuido".

   Sobre a concorrência com as grandes multinacionais diz que "de início há uma certa resistência, porque é um modelo de negócio diferente. O que está a suceder é que as grandes empresas estão também a adaptar-se às mudanças, a ter em conta o 'software' livre. Nada as impede de usá-lo para fazerem os seus produtos.

Para Paulo Quaresma o 'software' livre vai forçar a adaptações e à evolução, a um novo salto qualitativo. "Não exclui, de maneira nenhuma, as empresas que estão habituadas a desenvolver 'software' proprietário".

O 'software' livre ganha cada vez mais adeptos. A Europa vai à frente neste domínio o que lhe dá vantagens competitivas neste em relação aos Estados Unidos. Não exige o pagamento de licença para ser usado, copiado, estudado, modificado ou distribuído, ao contrário do 'software' proprietário. Os seus defensores partem do pressuposto que a tecnologia de informação digital ajuda o mundo inteiro. A ideia é que todos beneficiem das suas potencialidades.

Hoje, o negócio rende 2 biliões de euros à Europa, segundo revela um estudo recente da Comissão Europeia. O mesmo recomenda que os estudantes sejam incentivados a participar em comunidades de 'sofware' livre.

A guerra está aberta com as empresas monopolistas, nomeadamente com a Microsoft. Os defensores de 'software' proprietário consideram que o 'software' (aplicação informática) livre é um sonho e que só eles concebem produtos confiáveis.

Colocam em causa a metodologia, a existência de uma equipa de suporte que garanta o bom desempenho e as actualizações, no caso de uma nova versão.

Os utilizadores de 'software' livre contra-argumentam. Afirmam que a partilha faz encontrar soluções, que compartilham e distribuem, o que faz com que o sistema funcione correctamente. Consideram que ao disponibilizar o código fonte expõem a sua reputação e por isso fazem esforço para não a colocar em risco. Acusam as grandes empresas de monopólio de deterem as patentes e com isso atrasarem a investigação, o desenvolvimento científico.

As disputas de patentes têm colocado frente a frente, nos tribunais, empresas dos dois ramos, nomeadamente a Microsoft e a Comunidade Linux sem soluções à vista.

A ideia de 'software' livre foi pela primeira vez formalizada nos anos 80, por Richard Stallman, com a criação da 'Software Foundation', em 1984. Baseava-se em qautro liberdades: executar o 'software' para qualquer uso, estudar o seu funcionamento, redistribuir cópias, melhorar o programa e publicar as modificações de modo que todos beneficiem.

 

 

 

 

   Paulo Quaresma considera que a transição começa a ter lugar. "Já é claro que não é um fenómeno pontual. Deu um salto quantitativo e qualitativo.

   As melhores empresas, as que têm capacidade de se adaptar, vão fazê-lo. É concorrência, mas não é desleal".

   Na sua perspectiva, o 'software' livre vai forçar a adaptações e à evolução, a um novo salto qualitativo. "Não exclui, de maneira nenhuma, as empresas que estão habituadas a desenvolver 'software' proprietário".

   Para a universidade, "tem o papel de promoção e divulgação de conhecimentos. Além disso, nos tempos que correm, com os orçamentos das universidades cada vez mais reduzidos, é importante este tipo de iniciativas. Impulsionam o aparecimento de projectos de investigação, nomeadamente por parte das empresas. Para a universidade pode funcionar como prestação de serviços, não no caso do Alinex, mas em relação a outros", conclui o entrevistado.

 
Created by jsaianda
Last modified 2007-06-12 15:13